Como Foi Ser Filha de Missionário

Muitas vezes eu acho que as pessoas não me entendem. Acredito que a minha história não faz sentido. Acredito que acham que as manias que tenho é frescura, bobeira… Mas só me conhecendo, e me conhecendo MUITO bem… você irá me entender. Eu sou julgado, e muito.  Posso falar como brasileira, vestir como brasileira, as vezes até agir como uma brasileira, mas no fundo, no fundo, não sou. Não seja enganado por aparências.

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Vamos começar pelo começo?

Meus pais são 100% Americanos, ambos nascidos no estado de Georgia. Minha mãe e meu pai se conheceram no High School nos Estados Unidos.. eles tocavam na Marching Band ( sim, meus pais eram nerds- JUST KIDDING MOM! Love you;) ) Começaram a namorar e fizeram faculdade. Minha mãe é formada em Enfermagem e meu pai seminário e agora muitos mestrados e acho que doutorados. Ele estuda muito então não sei exatamente quantos e tudo mais. Em fim, eles sentirem Deus chamando eles para serem missionários no Brasil. Então em 1987, meus pais virem para o Brasil.

Dois aninhos depois.. veio a minha irmã mais velha, Maria. Mais um ano, a Raquel, e mais um ano, a perfeição– eu! hahaha ok, nem tão perfeita… Todas nós somos nascidas no Brasil e temos dupla cidadania por ter nascido em território Brasileiro. Nascemos em São Paulo capital e meu marido adooooooooooraaaaa me lembrar que nasci em “berço de ouro” no Hospital Albert Einstein. (Ném é tudo isso ta gente? Meus pais tinham um plano muuuuuiiiiito bom)

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Um mês depois de eu nascer, mudamos para os Estados Unidos por um ano. Vida de missionário é assim, 3 anos no Brasil, um ano nos Estados Unidos e vai e volta… vai e volta… e nestes vais e voltas… mudei 28 vezes na vida (lembrando que tenho apenas 23 anos).

**Um comentário a parte que no primeiro passaporte eu sou um bebezinho linnndoooooooooooo com um moicano vermelho. Nasci top já;) rsrsrsrrsrsrsrrss

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Após voltar dos Estados Unidos, mudamos para Curitiba e ficamos lá até meus 4 anos. Passamos mais um ano nos Estados Unidos e voltamos. Ficamos em Curitiba mais um tempo e com 8 anos passamos mais um ano nos Estados Unidos. Quando voltamos, mudamos para Marilândia. Se você não sabe onde Marilândia é… eu te perdoo porquê deve ter uns 100 habitantes e para fazer exercício, você da uma voltinha na cidade. è MUITO pequeno.

Moramos em Marilândia com uma amiga de familia, que é mais irmã do que familia.. e pensando bem deve ser meio louca por permitir que uma familia de cinco pessoas morasse com ela por um ano, coitada. Passamos um ano indo e voltando de Marilândia até achar um terreno para uma igreja aqui em Londrina e uma casa para morarmos. Mudamos para Londrina e com 13 anos voltamos para os Estados Unidos.  Com 14 anos voltamos para o Brasil, desta vez com a ideia de continuar permanente aqui em Londrina.

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Eu e minhas irmãs estudamos um ensino diferente, o sistema de Homeschooling. Só quando eu tinha 13 anos eu estudei em uma escola normal Americana.. o resto do tempo, com os vais e voltas.. estudamos por Homeschooling.

Com 14 anos, a minha irmã mais velha mudou para os Estados Unidos para ir para a faculdade. Celebramos o meu aniversário de 15 anos mais cedo para ela poder estar e ela foi. Nesta época acabei perdendo um pouco o contato com ela, mas quando ela terminou a faculdade e voltou para o Brasil, restabelecemos nosso relacionamento, muito melhor do que era antes.  Graças a Deus hoje nós 3 nos damos muito bem e nos amamos infinitamente.

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Eu e a Raquel, minha irmã mais velha também, mas a do meio, tivemos um bom relacionamento porquê só sobrou a gente na casa. Ficamos mais juntas porquê ficávamos vendo filmes até tarde e conversando e sendo amigos uma da outra. Quando você é filha de missionário e muda muito, é quase impossível ser amigo de alguém. Sinceramente em todo este tempo, tivemos poucas amizades, as que temos a maioria foram construídas no final da adolescência. Mas com o tempo, cada pessoa segue o seu próprio caminho. E seguindo o seu caminho, Raquel também foi para a faculdade:/

Com 15 anos, uma tragédia aconteceu e meu Vô por lado do meu pai ficou com câncer linfático. Foi muito muito triste e muito muito rápido. Corremos para os Estados Unidos para dar o nosso último tchau. Foi um momento bem difícil, alguém que você conhece e ame estar mal e você não poder estar lá. Graças a Deus conseguimos ir ver ele para dar um último adeus. Sentimos muito a falta dele.

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Eu me formei mais cedo, com 15 anos, quase 16. Eu fiz os últimos dois anos em um ano só porquê não aguentava mais o compromisso do estudo e não tinha mais nada para fazer mesmo… então, me formei!

Como eu era muito novinha, meus pais não queriam que eu fosse para a faculdade já.. então fiquei aqui no Brasil, viajando, comecei a trabalhar dando aulas de inglês. Após voltar do um acampamento em Curitiba, algo estava me falando… fica no Brasil. E por algum motivo louco… eu fiquei.

Com 16 aninhos

Com 15 aninhos

Só pode ter sido Deus falando para eu ficar… eu odiava o Brasil.. odiava ficar sozinha.. e do nada comecei a amar, amar tudo aqui e gostar de estar aqui. Então fiquei. Validei os meus estudos e fiz um ano de curso preparatório, paguei a UEL duas vezes, mas nunca fiz a prova pois eu achava que não passaria pois nunca estudei nada sobre o Brasil… nem a história, nem a língua, nem filosofia, nem física, coisas que não obrigatórios nos Estados Unidos. Então, fiz a prova da Unifil, e surpreendentemente eu fui bem colocada na pontuação. Fiz um ano de Administração porquê eu não sabia o que mais fazer. neste tempo conheci o meu esposo, decidi não continuar com um curso que não fazia sentido nenhum eu fazer, me foquei nas aulas de Inglês.. e continuo dando aulas até hoje.

Hoje eu estou com planos de mudar para os Estados Unidos e começar uma fase nova de vida junto ao meu marido. Sinto que agora está na hora de mudar novamente… aquela voz me falando que não é para eu estar aqui agora. Não tenho planos certos para o que vou fazer lá.. mas sei que é para eu ir. E eu irei.

A familia do lado da minha mãe, eu sou a bebê. Depois de mim veio mais uns 10 priminhos

A familia do lado da minha mãe, eu sou a bebê. Depois de mim veio mais uns 10 priminhos

Até agora, tudo isto está parecendo um post de biographia geográfica.. mas só para a minha vida fazer um pouco mais de sentido. Eu não fui criada como brasileira, cresci no Brasil e nos Estados Unidos , mas sendo educada como Americana. Eu lembro a primeira vez  que um menino foi me dar um beijo no rosto, eu estava com 14 anos e achei que ele iria me beijar na  boca, acabei correndo dele por medo e vergonha! Depois aprendi que era normal e não tinha problema algum cumprimentar com um beijo no rosto. Mas eu vou ser sincera…. eu odeio cumprimentar com beijo no rosto. Acho muito, muito pessoas. O que odeio mais que isso é quando a pessoa (especialmente homens) beija direto  com os lábios na bochecha ( sabe do que estou falando?) fico louca louca louca. Odeio.

Eu tenho um sério problema com horário. Eu sempre chego de 15 a 10 minutos cedo para qualquer evento/compromisso quando as pessoas chegam sem dar desculpas nenhuma, meia hora atrasada me deixam louca. Isso é muita falta de respeito. Se um dia você me ver irritada por casa de horário, é normal da minha cultura. Chegar 2 horas atrasados para um jantar com um mero, I’m sorry me mostra que você na da muita bola para a pessoa.

Tem muitas coisas sobre celebridades e musica que eu não sei, e não é porquê sou Americana.. mas porquê sou filha de missionária e não podíamos ver novelas, música do mundo , ir no cinema, entre outros. Não vou dizer se concordo ou não concordo, foi como a gente cresceu e pronto. Não é porquê não me interesso pela cultura, mas é que nunca vi mesmo e como vou discutir sobre algo que não sei?

Eu falo o que penso. E perdi muitas “amizades” por causa disso. Eu não gosto de ficar enchendo a pessoa de elogias e super discreto e falsamente dar minha “opinião”. Prefiro falar direto com a pessoa logo de uma vez. 

Não sei pensar em mais exemplos.. só sei o seguinte, se em algum momento você ficou irritado por mim por não cumprimentar ou beijar ou por eu ter ficado irritado por causa do horário.. não fiquei bravo comigo. Entenda que as pessoas de culturas diferentes, agem diferentes. E não é por mal.. e porquê são diferentes apenas isso.

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Como criança eu te falaria que sofri “muito” como filha de missionária, mas como adulta, posso te dizer que foi uma das melhoras experiências que já tive e que sou muito grata pela educação e cuidado que os meus pais tiveram comigo e com as minhas irmãs.  Vida de missionário não é fácil… muita gente acha que é moleza… mas eu vivi a vida de missionário. Eles sofrem, não estão de férias na vida boa, na verdade raramente tenham férias, 30 dias direto, quem dera?? Estão sempre viajando, mas isso não quer dizer que é férias, na verdade cansa viajar, mas é parte da vida de missionário, estar pronto para fazer o que Deus te mandar. 

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